• Argentina
  • Bolívia
  • Brasil
  • Chile
  • Colômbia
  • Costa Rica
  • Cuba
  • Equador
  • El Salvador
  • Guatemala
  • Honduras
  • México
  • Nicarágua
  • Panamá
  • Paraguai
  • Peru
  • República Dominicana
  • Uruguai
  • Venezuela
Uruguai
Uruguai busca alternativas para linha de transmissão

A briga entre Argentina e Uruguai em torno da fábrica de celulose instalada às margens do rio da Prata já afeta projetos concretos e envolve indiretamente o Brasil. O governo argentino tem vetado a concessão de financiamento do Focem, fundo do Mercosul irrigado especialmente com verba brasileira, para reforçar a segurança energética uruguaia com uma linha de transmissão de US$ 83 milhões.

O Uruguai vive um apertado equilíbrio entre oferta e demanda. Tem capacidade para gerar 2 mil megawatts (MW) de energia, mas precisa recorrer constantemente à importação de eletricidade dos países vizinhos para evitar apagões. Do Brasil, costuma comprar 72 MW médios nos períodos de cheia dos reservatórios das hidrelétricas. Um projeto acertado entre os dois países aumentaria essa capacidade para 500 MW, por meio de uma nova interconexão da rede elétrica. Seria construída uma linha de transmissão de Candiota (RS) à cidade uruguaia San Carlos, nas proximidades de Punta del Este. O projeto seria integralmente financiado pelo Focem, mas a Argentina vetou a ideia.

Nos bastidores da diplomacia, ninguém tem dúvida: trata-se de uma represália à recusa do Uruguai em reverter um investimento da finlandesa Botnia na cidade fronteiriça de Fray Bentos, às margens do rio da Prata, que a Argentina acusa de contaminar as águas. A disputa gerou um bloqueio, que já dura mais de três anos, da ponte entre Fray Bentos e Gualeguaychu, do lado argentino. O caso foi levado ao Tribunal Internacional de Haia.

Apesar dos esforços do Itamaraty, argentinos e uruguaios não conseguiram se entender nas reuniões de ontem. "Pergunte aos argentinos o porquê", reagiu com ironia, o ministro de Economia do Uruguai, Álvaro García. A Argentina mais uma vez vetou o uso do Focem, que deve ser aprovado por todos os sócios.

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, telefonou no mês passado ao colega Luiz Inácio Lula da Silva para pedir uma nova forma de financiar o projeto, por meio do BNDES. Vázquez tem uma relação tensa e distante com o casal Néstor e Cristina Kirchner, da Argentina. A esperança do Brasil é que a eleição do ex-guerrilheiro José Mujica, que sucederá Vázquez a partir de março, facilite uma solução diplomática. Mujica já afirmou que priorizará a normalização das relações com a Argentina.

A interconexão da rede elétrica ocorre atualmente nos municípios fronteiriços de Rivera e Santana do Livramento. Para ampliar a capacidade de transmissão, estuda-se uma nova linha entre o polo carvoeiro de Candiota e a fronteira. Depois disso, seriam mais 200 quilômetros em território uruguaio. De acordo com fontes que acompanham o projeto, investidores privados estão dispostos a construir uma nova usina termelétrica a carvão em Candiota. Até 95% da energia gerada na usina térmica seria destinada exclusivamente a para os consumidores uruguaios, mas isso exige mudanças na legislação brasileira do setor elétrico, já que só em caso de "sobra" o Brasil pode exportar eletricidade.

Há pelo menos outro projeto bloqueado pela "guerra das papeleiras". O Uruguai tem buscado fechar um acordo de compra de gás boliviano, mas depende de dutos argentinos para ter acesso ao insumo. Nas últimas semanas, autoridades uruguaias tentaram, em vão, um compromisso da Argentina de que não interromperia o abastecimento ao vizinho. Aos poucos, praticamente morreram também as conversas entre os dois países para montar uma planta conjunta de regaseificação de gás, às margens do rio da Prata.(DR)

Valor Econômico, 08.12.2009

 
últimas notícias da categoria:
 
Mais notícias desta categoria:
 
Veja todas as notícias:
 
Envie esta notícia

 Voltar
  • banner_america_latina

© Copyright 2007 / 2007 - Todos os Direitos Reservados