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Economia Geral
No Brasil, uma firma de investimentos que evita empréstimos

"Nós não usamos nenhum empréstimo.”

Luiz Otávio Magalhães, sócio fundador de uma das firmas de ativos privados mais bem sucedidas do Brasil, estava tentando explicar seu modelo de negócios para mim. A Pátria, sua influente firma de aquisição acionária, consegue facilmente rendimentos de mais de 20% ao ano. Esse tipo de desempenho atraiu a atenção de Steven Schwarzman, cujo Grupo Blackstone comprou uma fatia de 40% da firma brasileira no ano passado.

Mas esse fundo LBO (“leveraged buyout”, ou seja, de aquisição de empresas com recursos emprestados de terceiros), excepcionalmente, não faz empréstimos.

“Nenhum empréstimo”, disse ele novamente, para enfatizar o ponto.

Bilhões de dólares estão fluindo atualmente para a economia brasileira. Firmas internacionais de ativos privados, como a Blackstone e o Carlyle Group, estão correndo para capturar uma parte deste mercado emergente, antes que ele emerja totalmente. O JPMorgan Chase recentemente pagou US$ 6 bilhões (R$ 9,94 bilhões) para comprar 55% do Gávea, um fundo de investimento de sete anos de idade cofundado por Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil de 1999 a 2002.

Mas talvez o aspecto mais incomum do setor de ativos privados brasileiro seja o fato de que seu sucesso até agora não teve nada a ver com sobrecarregar as empresas que são alvo de aquisição com uma pilha de dívidas. De fato, essa versão do negócio de ativos privados é exatamente o contrário: melhorar as operações de uma companhia em vez de recorrer à engenharia financeira para obter mais desempenho. Este é um lema que muitas firmas de ativos privados nos Estados Unidos e Europa divulgam, mas que não seguem na prática.

O motivo pelo qual as firmas de ativos privados do Brasil não usam empréstimos é simples. No Brasil, o dinheiro não surge facilmente, explicou Magalhães durante um café nos escritórios de sua firma numa das principais áreas do centro de São Paulo.

Uma firma de ativos privados em busca de um empréstimo de um banco brasileiro poderá ter de pagar até 20% de juros por ano. Um empréstimo nos Estados Unidos, por outro lado, pode custar apenas 6%. O motivo para a falta de empréstimos, pelo menos por enquanto, torna-se óbvio.

“Esta simplesmente é a forma como fazemos. Não é um ambiente em que os empréstimos desempenham um papel significativo”, disse Fraga numa entrevista.

Então, como a firma de Magalhães faz, com cerca de US$ 4,3 bilhões em gerenciamento, para conseguir um rendimento tão grande? Para começar, ele não procura os acordos gigantescos que são populares nos Estados Unidos.

“Sempre há espaço para melhoria nas pequenas empresas. Nas empresas familiares, como costumamos dizer, 'a cozinha é uma bagunça'”, diz ele. “Normalmente, quando você assume companhias maiores, o espaço para melhoria dentro da empresa é menor porque ela já precisa estar organizada, do contrário não teria sobrevivido.”

Ele também se concentra quase que exclusivamente em comprar empresas familiares, que com frequência oferecem negociações mais difíceis do que com as companhias públicas.

“Nós jantamos com a mulher do dono porque ele queria que ela conhecesse os caras com quem ele estava se associando”, disse Magalhães sobre um recente alvo de aquisição. “É justo que ela queira nos conhecer”, acrescentou. “Essas companhias ainda estão sob o radar, elas não mandam o JPMorgan ou o Goldman Sachs me encontrar.”

Se os seus princípios se parecem com o que buscava o incipiente setor de ativos privados dos EUA por volta dos anos 70, é porque é isso mesmo. Magalhães não está dando lances para comprar companhias em leilões ou formando consórcios com outras firmas. Ele passa anos desenvolvendo relações com empresas pequenas até que elas estejam dispostas a vender para ele.

Ele trouxe uma empresa de diagnóstico médico em 2000, que tinha 18 centros com um rendimento de US$ 90 milhões. Em 2009, quanto a Pátria saiu, a companhia tinha mais de 300 lojas com US$ 1,6 bilhão de rendimento.

Entre seus outros atributos, Magalhães é bastante casual para um diretor de uma firma de investimentos. Esqueça a risca de giz; ele se veste com jeans e camisa de trabalho. Para se preparar para uma reunião com Schwarzman em 2010, ele lembrou apressadamente sua equipe, no dia anterior, para vestir terno escuro.

Magalhães fez um acordo com Schwarzman depois de um namoro que foi semelhante ao relacionamento que ele costuma ter com seus alvos de aquisição, uma vez que levou mais de uma década para que um acordo fosse atingido. Para a Blackstone, o acordo permite que a firma entre no mercado de rápido crescimento do Brasil, usando o conhecimento local. Os US$ 4,3 bilhões sob gerenciamento da Pátria incluem dinheiro destinado de ativos privados, investimentos imobiliários, de infraestrutura, um pequeno fundo hedge e um pequeno negócio de consultoria. Eles são, em outras palavras, uma mini-Blackstone.

A grande questão que Magalhães e outros enfrentam nesse setor é se podem sustentar seus desempenhos à medida que atores maiores entram no mercado, buscando presas ainda maiores.

Por enquanto, Magalhães diz que não está preocupado. Com a economia brasileira crescendo rapidamente, eles estão de vento em popa.

Mas ele e Fraga reconheceram que os negócios estão ficando mais competitivos. À medida que o custo dos empréstimos cai, eles temem que o setor de ativos privados do Brasil possa lembrar as firmas dos Estados Unidos.

“Com certeza haverá mais empréstimos”, disse Fraga. “Se tudo correr bem, não faremos nenhuma besteira quando a oportunidade se tornar real.”

Tradução: Eloise De Vylder

Fonte: The New York Times, 03/04/3011.

 
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