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Colômbia
Análise: Uribe e dólares do governo Bush tornaram a Colômbia mais segura

Na escuridão da noite, um homem armado fez sinal para nosso carro, mandando-nos parar. Dez anos atrás, a visão dele teria feito que eu pisasse no acelerador. Mas dez anos atrás eu não teria ousado dirigir por essa estrada. Na época, as guerrilhas de esquerda e os paramilitares de direita montavam postos de controle como este e sequestravam passageiros para cobrar resgate. A prática era chamada de "pesca milagrosa". Hoje os bloqueios nas estradas são montados pela polícia e o exército. O soldado perguntou para onde estávamos indo e nos mandou seguir, desejando boa viagem. A Colômbia não é mais o país mais perigoso das Américas.

Eu estava a caminho para ver Luis, cuja história é a deste país em microcosmo. Luis costumava plantar coca e transformar as folhas em cocaína para um barão da droga, um paramilitar. Mas alguns anos atrás verbas do governo permitiram que ele montasse um pequeno hotel ecológico no litoral. Assim como outros 100 mil colombianos, ele recebe US$ 400 a cada dois meses, em uma iniciativa que atraiu os agricultores para longe dos plantios ilegais.

O pai de Luis plantava café em uma fazenda na Sierra Nevada de Santa Marta, no norte da Colômbia. A área era remota demais para a polícia, e na década de 1980 as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o maior grupo guerrilheiro do país, se instalaram. Fundadas em 1964 como um movimento camponês marxista, as Farc começaram a se financiar com o tráfico de drogas e hoje são o maior cartel da cocaína da Colômbia, embora ainda usem a linguagem da revolução. As Farc foram a força armada mais forte na região, e assim podiam exigir o que quisessem: colheitas, fazendas, mão-de-obra. Como na maior parte do país, os moradores locais reagiram formando grupos paramilitares, financiados por ricos proprietários de terras.

Nesta região, o líder paramilitar era Hernán Giraldo, que hoje serve pena de prisão nos EUA por tráfico de drogas. Ele e seu bando cometeram dezenas e talvez centenas de assassinatos quando assumiram o controle e, como as Farc, se transformaram em um cartel de drogas. Hoje muitos colombianos usam exatamente a mesma frase para descrever os paramilitares: "O remédio foi pior que a doença".

Mas de alguma forma, na década em que o Iraque e o Afeganistão caíram na anarquia, a Colômbia saiu dela. É uma história de sucesso da guerra ao terror. Álvaro Uribe, que em agosto deixou a presidência depois de oito anos no cargo, é provavelmente o homem mais popular do país.

Baixo, de óculos e nada carismático, Uribe é um salvador improvável. Filho de uma família rica, seu pai foi assassinado por guerrilheiros de esquerda. Quando ele assumiu o cargo, em 2002, a maior parte do país estava fora do controle do governo e milhões de colombianos da zona rural tinham sido obrigados a abandonar suas casas. No dia de sua posse, as Farc atacaram com morteiros o palácio presidencial na capital, Bogotá, matando 20 civis - só para mostrar do que eram capazes. Mas quando Uribe deixou o governo as Farc tinham sido empurradas para a selva, outros grupos de esquerda tinham sido erradicados e a maioria dos grupos paramilitares estava desfeita. Como isso aconteceu?

Para começar, Uribe conseguiu aproveitar a impopularidade das Farc e dos paramilitares. O apoio às Farc é calculado em menos de 1% dos colombianos - incidentes como o assassinato de ativistas dos direitos indígenas em 1999 mostraram quão longe o grupo estava de seus ideais declarados. Os paramilitares também eram desprezados por sua brutalidade e cobiça.

Mas o que fez a verdadeira diferença foi que a partir de 2000 o governo Bush despejou bilhões de dólares nas forças militares colombianas, transformando-as em uma força de combate eficaz que adotou a contra-insurgência como sua doutrina. Hoje atribuída ao general David Petraeus, a contra-insurgência foi a base intelectual para a reação no Iraque. Mas os militares colombianos o fizeram primeiro, e melhor. Seu primeiro princípio é o de que não basta matar os bandidos. O governo precisa oferecer segurança e melhorar a vida da população para conquistar sua fidelidade. Não foi fácil - os colombianos inicialmente tinham pouca fé no exército. Mas hoje o governo pode ostentar sua expansão de serviços nas áreas rurais e o crescimento econômico que veio com a melhor segurança. E finalmente, embora as autoridades colombianas não gostem de admitir, os paramilitares fizeram a maior parte do trabalho sujo, dizimando as Farc e seus defensores.

Os sequestros hoje caíram 90% e os assassinatos, 50% desde 2002. Os prefeitos de todos os municípios do país hoje vivem nas cidades que eles administram - poucos anos atrás isso teria sido uma sentença de morte. As coisas não são perfeitas. Nos últimos seis meses, 29 mil colombianos foram expulsos de suas casas pela violência - mas em 2002 quase 500 mil o foram. Grupos de direitos humanos ainda acusam os militares de matar civis; as autoridades admitem erros "vergonhosos", mas prometem não repeti-los. Como me disse Uribe antes de deixar a presidência, "ainda não vencemos, mas estamos vencendo".

Os que pretendem pacificar o Afeganistão deveriam estudar melhor a Colômbia. Ambos os países padecem com um enorme setor de drogas ilegais, um governo fraco e uma geografia que oferece santuários para bandos armados. Os talebans hoje são um pouco mais populares do que as Farc eram em 2002. A principal diferença, provavelmente, é que os colombianos lutaram sua própria batalha. Mas o país mostra que, por mais dura que seja a situação, um governo com vontade e determinação pode recuperar o controle de seu território nacional.

Fonte: Prospect. Por: * Tom Streithorst é escritor e fotógrafo

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

 
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