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Em crise, Aerolíneas pode ser argentinizada

Valor Econômico, 10/07/2008.

Em crise, Aerolíneas pode ser "argentinizada"
Janes Rocha

Em situação financeira cada vez mais complicada, a Aerolíneas Argentinas, a maior companhia aérea do país, poderá sofrer intervenção judicial ainda hoje para garantir vôos e pagamento de salários. O pedido de intervenção será encaminhado pelos sindicatos e pelo representante do governo no conselho da empresa, Julio Alak, no juízo no qual já tramita o último processo de concordata preventiva, pedido pela empresa em outubro de 2007. A Aerolíneas já sofreu cinco intervenções judiciais desde que foi privatizada em 1991.

O motivo alegado para o pedido de intervenção é que a empresa está com 60% de sua frota parada por falta de insumos e de pessoal, não pagou os salários de junho e há quatro meses não reco-lhe a verba destinada aos planos de saúde e aposentadoria. Para pagar a primeira parcela do décimo-terceiro, teve de fazer um empréstimo bancário emergencial.

"Diante da grave situação de não-pagamento de salários, firmamos uma ata para apresentar amanhã na Justiça, para informar a situação e pedir a continuidade das operações", afirmou ontem o secretário de Transportes, Ricardo Jaime, após uma reunião mantida com os presidentes dos sindicatos de trabalhadores da companhia, na sede do Ministério do Trabalho.

Os sindicatos dos pilotos e do pessoal em terra, que pararam na terça-feira em protesto contra o não-recebimento dos salários, se comprometeram com o governo a manter as operações por 60 dias a partir da intervenção.

Controlada pelo grupo espanhol de turismo Marsans, a Aerolíneas responde no país por 80% dos vôos nacionais e 40% dos internacionais, e tem faturamento anual de US$ 1,4 bilhão. Mas acumula dívida de US$ 400 milhões. Os espanhóis culpam o governo pelo mal desempenho, alegando que não tiveram as condições necessárias para operar por causa da elevação dos custos (principalmente do petróleo), dos controles de preços e dos subsídios insuficientes.

Em abril, o principal executivo da Marsans, Gonzalo Pascual, divulgou a intenção de buscar sócios e de "argentinizar ao máximo a companhia". A atitude foi interpretada como resultado de pressão do governo argentino para ele vender suas ações e abrir caminho para a pretendida nacionalização.

Há pelo menos três meses circulam informações na imprensa local, creditadas a fontes não identificadas dentro do governo, de que o plano oficial seria que a Marsans reduzisse sua participação acionária, dos atuais 95% para apenas 35%. O governo elevaria sua fatia no capital da empresa, de 5% para 20%, e o restante das ações seria dividido entre um grupo empresarial local, os empregados e governos provinciais. Até agora só apareceu um empresário interessado no negócio, o argentino naturalizado uruguaio Juan Carlos López Mena, controlador da empresa Buquebus, que faz transporte de passageiros por barco entre Argentina e Uruguai, pelo Rio da Prata.

A possível nacionalização da Aerolíneas Argentinas se enquadraria numa política não declarada do casal Kirchner de reverter as privatizações realizadas no governo de Carlos Menem (1989-1999). Entre as empresas "argentinizadas" estão a concessionária de água e saneamento Aysa, que pertencia à francesa Suez; a Transener, empresa de transmissão de eletricidade que pertencia à Petrobras; e a YPF, maior petroleira do país, que é controlada pela espanhola Repsol mas recentemente teve 15% de seu capital negociado com um empresário argentino. Ainda estariam na fila da nacionalização: a concessionária de gás Metrogas, e a de energia elétrica na região sul da cidade de Buenos Aires, Edesur.

 
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