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Economia Geral
Fontevecchia, o economista que fatura com a Caras

Valor Econômico, 14/03/2008.

Fontevecchia, o economista que fatura com a "Caras"
Janes Rocha

Ela é o supra-sumo da frivolidade e muitos a lêem às escondidas, jurando que jamais visitaram suas páginas. Mas seja em São Paulo, Rio ou Buenos Aires, quem passa por um consultório de dentista ou um salão de cabeleireiro, dificilmente resiste à tentação de ler, ou pelo menos folhear, "Caras". Terceira revista mais lida pelos brasileiros, depois de "Veja" e "Época", ela é uma criação do empresário argentino Jorge Fontevecchia, que tem no Brasil seu maior mercado com vendas mensais de 250 mil exemplares.

"Caras", que também é editada no Chile, Angola, Perú e Rússia, "é o resultado de mais de 15 anos de provas e erros até que encontrássemos uma fórmula original e de qualidade", contou Fontevecchia em entrevista ao Valor na sede do Grupo Perfil, em Buenos Aires, um dos mais jovens e de maior crescimento no mercado editorial argentino.

Economista de formação e jornalista de coração, Jorge Fontevecchia parece pouco com "Caras". Culto e elegante, ele faz mais o tipo intelectual e garante que nunca colocou os pés na Ilha de Caras no Rio de Janeiro. Disse que é por falta de tempo. Personagem influente nos meios políticos e da alta sociedade argentina, este portenho de 55 anos, com aparência bem mais jovem, tem mais afinidades com seu "filho" mais novo, o jornal Perfil, lançado em 2005 e que circula só nos finais de semana.

Lançado em 2005, "Perfil" é um jornal extremamente crítico do governo Kirchner, com quem tem uma briga aberta que já foi parar nos tribunais internacionais. Foi nas páginas do "Perfil", por exemplo, que os argentinos ficaram sabendo, em meados de 2007, que seguranças do Ministério da Economia encontraram um até hoje não explicado saco com US$ 60 mil no banheiro do gabinete da ministra Felisa Miceli. A denúncia derrubou a ministra.

Em 2007 Fontevecchia abriu um processo contra o Estado argentino no Tribunal Interamericano da Organização dos Estados Americanos (OEA), em San José de Costa Rica, por "discriminação da publicidade oficial", ação que tem o apoio da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP na sigla em espanhol) e da Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Esta é a única empresa (jornalística da Argentina) que não recebe publicidade oficial, zero de publicidade oficial", diz Fontevecchia. Ele recorreu ao tribunal internacional porque já perdeu em primeira e segunda instâncias na Justiça argentina e, diz, sabe que vai perder na Suprema Corte. "Não há maneira de vencer o governo, temos que resistir e esperar que passe", desabafou.

O jornal "Perfil" vende 70 mil exemplares aos domingos. "Clarín" vende 500 mil e "La Nación", 200 mil. Faturou o equivalente a US$ 10 milhões em 2007 e a expectativa é duplicar o valor neste ano.

Fontevecchia lançou sua primeira publicação quando tinha apenas 20 anos e estudava Economia na Universidad Argentina de la Empresa, em 1975. No ano seguinte fundou a Editorial Perfil em sociedade com o pai, Alberto Fontevecchia, dono de uma gráfica. Desde então montou uma das maiores "fábricas" de revistas da América Latina e a maior no idioma espanhol.

Edita, comercializa e distribui mais de 90 revistas, sendo 50 títulos e 40 fascículos ou derivados como "Notícias Motores" ou "Caras Noivas". São publicadas em 11 países, em espanhol português, inglês e russo. Somam 700 edições por ano, o equivalente a quase duas publicações por dia ou mais de 30 milhões de exemplares vendidos por ano. As rotativas do grupo consomem 12 mil toneladas anuais de papel. Sua estrutura de distribuição envolve 15 empresas de transporte que entregam a 200 agentes na Argentina e nos outros dez países.

Hoje a Editorial Perfil é a terceira maior empresa jornalística da Argentina depois dos grupos Clarín e La Nación. Em revistas é a maior, detentora de 30% do mercado. Por seus produtos internacionais, é também o maior exportador de produtos gráficos e a maior editora de CDs de música, vídeos e CD-ROM do país.

Mas o projeto mais querido desse empresário é o jornal "Perfil" que circula só nos fins de semana e já consumiu US$ 12 milhões em investimentos. Comenta-se nas rodas jornalísticas e publicitárias de Buenos Aires que Fontevecchia ganha dinheiro com a "Caras" no Brasil e gasta com o "Perfil" na Argentina. "Isso é uma simplificação", responde Fontevecchia. Mas observa que as revistas "ajudam" a sustentar o jornal, já que as operações no exterior contribuem com 50% do faturamento do grupo, de US$ 100 milhões em 2007, a maior parte do Brasil.

"Caras" e "Notícias" (outra revista semanal e de assuntos gerais do grupo), respondem por 80% do faturamento obtido na Argentina. "Obviamente, o 'Perfil' (jornal) exige investimentos, está num ciclo em que ainda é um bebê, tem apenas três anos", diz o empresário. Ele espera que o jornal entre em equilíbrio entre receita e despesa até o fim deste ano.

Fontevecchia vive o dia-a-dia do seu "bebê" intensamente. Participa da definição dos assuntos a serem abordados pelo jornal, lê tudo antes de ser publicado e revisa tudo depois, cobrando de seus colaboradores as falhas e "furos" (notícias importantes publicadas pela concorrência). Semanalmente escreve para o jornal. São, em geral, extensas entrevistas com personagens que só falam com ele e nenhum outro jornalista na Argentina.

 
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