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Editorial |
| Três caminhos para entender a América Latina:
Primeira Via: razão!
Leia, leia muito. Para os leigos no assunto, uma dica ótima, com linguagem clara, é o livro “Formação Econômica da América Latina”, de Celso Furtado. O autor aborda o genocídio indígena e a destruição de suas culturas, caracteriza as Américas espanhola e portuguesa, mostrando como, através de diferentes caminhos, ambas foram conduzidas à formação e à submissão às grandes propriedades rurais. Outros autores que também pensam (ou pensaram) seriamente a América Latina: Raúl Prebisch, Aníbal Quijano, Francisco de Oliveira, etc...........................................................................
Segunda Via: emoção (cinema, literatura e música)!
O cinema latino tem muito a nos ensinar. Dificuldades econômicas e políticas por muitas vezes tolheram o desenvolvimento dessa indústria por aqui, e atente que o cinema chegou à América Latina em 1896, apenas um ano depois da primeira exibição em Paris. Mas nos últimos anos, isso vem mudando. O filme chileno Machuca (2004), de Andrés Wood, por exemplo, relata de maneira sensível um pouco da dualidade do perfil latino-americano: a difícil integração entre duas classes (burguesia e favela); a democracia e a ditadura. O filme, que se passa no período pré e durante o golpe militar que derrubou Salvador Allende no Chile, simboliza, em maior ou menor escala, o que aconteceu também em outros países da região.
Ainda via emoção, outra opção, senão a principal, é a literatura: quer aprender sobre o fantástico? Jorge Luis Borges, da Argentina, e Gabriel Garcia Marques, da Colômbia. Sobre a volubilidade do caráter latino? Leia Macunaína, do brasileiro Mário de Andrade. Sobre as mulheres? Gabriela Mistral (Chile, Prêmio Nobel, em 1945) e Clarice Lispector, do Brasil.
A música é outra fonte inesgotável de expressão cultural latino-americana. Diversas interferências culturais e políticas resultaram em uma variedade de estilos. Do clássico Heitor Villa-Lobos, aos políticos Violeta Parra e Mercedes Sosa, do romântico tango de Astor Piazzolla, à suave bossa-nova de Tom Jobim. A lista é extensa, e olha que nem falamos das danças..................................................
Terceira Via (alternativa): estômago!
Se após percorrer as vias 1 e 2 ainda assim está difícil de entender a América Latina, DESISTA. A América Latina não foi feita para ser compreendida, mas para ser sentida. Uma das maneiras mais prazerosas de senti-la (existem outras, claro) é saborear o prato mexicano Mole Poblano: a mescla entre especiarias como cravo e canela, várias e diferenciadas pimentas picantes, chocolate (sabia que o chocolate é de origem mexicana?), além dos temperos mais tradicionais, como salsa, alho, cebola e outros, temperam o peru. O sabor é indescritível. Fica como sugestão: saboreie-o e delicie-se!
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